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Eliane Brum e o triunfo das eu.com

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Eliane Brum (Reprodução Facebook)

Uma década atrás, quando um colunista saía de um veículo de comunicação, ele deixava para trás o nome de sua coluna, as matrizes do conteúdo que produziu e, principalmente, seu público. Para os veículos, bastava achar um nome que o substituísse à altura. O jornalista era dependente e, de certo modo, refém do seu veículo de comunicação.

De lá para cá isso mudou, embora ainda exista nas Redações quem não perceba. A jornalista e documentarista Eliane Brum é um exemplo perfeito e recente dessa mudança. Nessa última década, ela foi repórter e, nos últimos anos, colunista do site da revista Época. Os textos de Eliane conquistaram um público fiel, formado não mais por leitores passivos, mas por leitores ativos que passaram a compartilhar suas colunas nas redes sociais. Uma multidão de 235 mil leitores curtiu uma dessas colunas – Meu filho, você não merece nada – no Facebook. Paralelo a isso, ela criou seu canal no Twitter e uma página no Facebook, o que lhe garante um público conectado de mais 50 mil leitores.

Há algumas semanas, Eliane deixou o site de Época. Na internet, quem abre mão de profissionais como Eliane Brum, corre o risco de perder também o público que os lê. No Jornalismo digital há um grupo cada vez mais numeroso de profissionais que se tornaram insubstituíveis porque levam consigo seus públicos. Ela faz parte desse time.

Na semana passada, Eliane começou a publicar uma nova coluna no site brasileiro do jornal espanhol El País, lançado na terça-feira. Mesmo publicando num site estreante e ainda pouco conhecido, ela já contabilizava no dia seguinte mais de 20 mil compartilhamentos no Facebook. Sua rede continua ativa e seu público se reorienta para continuar a segui-la. Em paralelo, suas colunas anteriores ainda estão disponíveis na web, seu acervo permanece acessível e criando mais seguidores. Os novos e os habituais leitores encontrarão facilmente o novo espaço da jornalista e se mostrarão dispostos a ler seus textos enquanto ela estiver elaborando conteúdos que lhes interessem.

Eu.com

Assim como Eliane Brum, há inúmeros casos de profissionais que conseguem nas redes sociais um número de seguidores superior aos que conseguem alcançar as marcas dos veículos em que atuam. É o caso de profissionais como William Bonner, que tem no Twitter cinco vezes o número de seguidores do canal do Jornal Nacional, ou de Luciano Huck, que tem bem mais seguidores que o perfil oficial da Rede Globo.

E deveria ser o caso de todos os profissionais de comunicação. O jornalista não deve perder a oportunidade de levar sua marca pessoal para a internet. Mais do que isso, ele deveria planejar a sua presença e atuação na web, criar relações com seu público e usar as redes sociais como instrumento para fortalecer sua marca. Seus seguidores serão seu público permanente, onde quer que ele atue. Essa estratégia não necessariamente deve estar apartada do veículo em que trabalha. Pelo contrário, a divulgação dos conteúdos na rede de relacionamento do jornalista ajuda o jornal, rádio, site ou TV enquanto os dois, profissional e empresa, forem parceiros.

Compare

William Bonner  realwbonner  no Twitter

Jornal Nacional  JNTVGloboBrasil  no Twitter

Luciano Huck  LucianoHuck  no Twitter

Globo  rede_globo  no Twitter

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