A internet é plana. Ou o que o Twitter, o Nobel da Paz de Lula e um tornado em Nova York têm em comum

O que uma notícia da indicação de Lula para o Prêmio Nobel da Paz e a foto de um tornado que dança em torno da Estátua da Liberdade têm em comum?

No mar de notícias que fluem incessantemente pela internet, duas me chamaram atenção nos últimos dias. Uma, publicada na revista Time; e outra, originalmente na Época. A reportagem americana apresentava a foto de um tornado que se aproximava perigosamente de Nova York; a informação de Época falava de uma indicação do presidente Lula para concorrer ao prêmio Nobel da Paz. Ambas estão, de alguma maneira representadas nas imagens abaixo e sua publicidade se deve a uma característica da internet que pode ser uma grande armadilha.

Mas antes vamos à história das duas notas.

A foto do tornado em Nova York é verdadeira, mas ela foi captada em 1976. Foi encontrada no Twitter e republicada ingenuamente pela Time como sendo uma imagem recente. A Time reconheceu o erro, como conta Craig Kanalley no Huffington Post, e também admitiu o erro em uma nota no StumbleUpon.

O caso de Época é semelhante, mas a publicidade não foi dada pela revista. Uma notícia, publicada em 2003, foi republicada em sites e mais sites, blogs e mais blogs e depois retuitada por muitos usuários que entenderam tratar-se de uma notícia atual. Nesse caso, a motivação eleitoral pode ter influenciado tanto as boas quanto as más intenções.

Os dois casos foram possíveis porque há uma característica nem sempre percebida na forma como o que é digital se estrutura. A internet é plana. E o achatamento vitima primeiro a percepção do tempo. Essa característica, aliada à fragmentação dos dados, faz com que a informação que acessamos nem sempre possua uma distinção satisfatória do seu tempo. E, para complicar a situação, nem sempre há uma ordenação temporal dos dados, principalmente quando chegamos a eles por intermédio dos buscadores.

Nos mecanismos de buscas, o peso dado à relevância e ao que é recente pode diferir muito quando confrontados o desejo do usuário e o logaritmo.

Se o usuário comum precisa estar atento a esta eternização do presente, ao jornalista é exigida a atenção redobrada para que as infinitas possibilidades da internet não se transformem em armadilhas nas quais ele caia ingenuamente.

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