A mídia perdeu o papel principal. O que suas marcas irão representar agora?

Há uma mudança radical em curso na comunicação que fará com que os atores atuais assumam papéis diferentes num futuro próximo. O ensaio dessa ópera está aberto ao público e quem possui um tablet já pode ocupar o melhor lugar para assisti-lo.

Para exemplificar esse cenário, vejam a imagem ao lado, reprodução da tela de abertura de um agregador, o Evri. Como qualquer outro agregador, ele organiza em pastas o conteúdo que me oferece para ler. Essas informações são provenientes de diversas fontes e a origem nesse caso é secundária, o que determina a classificação do conteúdo que me é oferecido é o tema, o assunto, definidos pelo interesse pessoal e configurados pelo leitor ao iniciar o aplicativo. Alguns agregadores, como Flipboard e principalmente o Pulse, dão um peso um pouco maior para as fontes, mas essa não é a regra.

Esse cenário só é possível graças a uma forte característica da internet: a fragmentação. Ao debulhar os links e reclassificá-los, os agregadores, mas também a internet inteira, tiram do veículo que produziu a informação, o protagonismo das cenas. A marca vira coadjuvante.

Com o crescimento da base de tablets, tudo leva a crer que essa peça ficará em cartaz por uma longa temporada. A mudança de eixo nesse cenário se estabelece a partir da perda do protagonismo do que cada vez menos se pode chamar de mídia. Os veículos, tal como os conhecíamos, já não conseguem mais exercer esse papel com a mesma desenvoltura. Eles já não são meio, são cada vez mais produtores de conteúdo somente. O meio, a distribuição, é um papel desempenhado por novos atores. E quem dirige o espetáculo é o público. Ele escreve e reescreve seu roteiro a qualquer tempo.

O desafio para a gestão das marcas que produzem conteúdo é enorme nesse cenário. Além de perder o protagonismo, há um cisne negro assombrando o personagem: a marca divide os créditos com o sujeito que produziu a informação, repórter e veículo começam a ter o mesmo peso. Para o jornalista é uma oportunidade de ouro; para a marca não chega a ser uma questão de sobrevivência, mas de valor.

Os gestores terão que buscar novas alternativas para recuperar o valor perdido de suas marcas, se é que isso será possível. Associá-las a nichos e temas e formar comunidades em torno delas é uma possibilidade, mas imagino que para encontrar um novo papel a altura, o empresário terá que entender primeiro como as relações se estabelecem no ambiente dessa nova ribalta.

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