As cinco crises simultâneas dos meios de comunicação

Eric Scherer

O diretor de estratégia da AFP, Eric Scherer (foto), acredita que os meios de comunicação tradicionais estão enfrentando cinco crises simultâneas neste momento:

  • a econômica, que atinge direta ou indiretamente a todos;
  • a dos modelos de negócios tradicionais, que atinge mais fortemente os meios impressos;
  • uma crise de audiência decorrente da concorrência com os novos meios digitais;
  • uma crise de formação;
  • uma crise de autoridade decorrente da queda de prestígio da velha mídia

A íntegra do texto está em Looking at the future of news at the OECD, no Editorsweblog, mas eu vou me deter numa dessas cinco, que me parece ser condicional para melhor enfrentar as demais. Para Scherer, a formação é um problema gigantesco, que deveria ser corrigido imediatamente, mas os executivos das empresas de comunicação não estão suficientemente atentos a isso.

Esse talvez seja um dos grande empecilhos para o surgimento de soluções vindas da própria indústria da mídia. Por incrível que pareça, ainda estamos assistindo a simples transposição do modus operandi dos outros meios para as plataformas digitais.

Na produção de conteúdo, há avanços na convergência, mas pouco pensamos em multimídia enquanto narrativa; insistimos na infografia, mas patinamos na interatividade; reproduzimos conteúdos, mas somos pouco originais; beneficiamos o volume, desconsideramos a capacidade de oferecer caminhos para os usuários. As áreas comerciais vendem banners que não sustentam os negócios; as áreas de marketing não acompanham o comportamento da audiência.

Os modelos de negócio que conseguem gerar receita não foram criados pela mídia. Enquanto o Google criava os links patrocinados, a indústria da comunicação pensava unicamente em ocupar espaço na web. E essa política defensiva não faz sentido, na internet o espaço é infinito. E agora, enquanto as empresas voltam a pensar em conteúdo pago, deveriam pensar em como gerar a receita necessária para a viabilidade do negócio a partir do alto volume de audiência enquanto ele ainda não se fragmenta totalmente.

Para considerar esses aspectos é preciso reconsiderar também as crenças, entender que a experiência que acumulamos nos outros meios pode nos prejudicar a visão quando miramos um mundo em que os contornos não são nítidos e que aguarda pela chegada de profissionais que o compreendam e ajudem a desenhá-lo. Precisamos ter formação para os meios digitais em todas as hierarquias para não sentir saudade da crise daqui a algum tempo.

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