As lições da Forbes.com

No processo de desenvolvimento de produtos para plataformas digitais ainda é comum ver convicções mais do que técnicas – como testes de usabilidade e focus groups – norteando as escolhas. Nesses casos, quase sempre as convicções de quem pode mais acabam se sobrepondo às demais e determinando os novos formatos. É o produto feito literalmente para um usuário único.

Mesmo em ambientes mais plurais, em que as decisões são tomadas depois de discussões intensas, há o risco de se formatar produtos que são resultado de uma média das convicções participantes do processo de decisão.

Na base disso está uma outra convicção: a de que a experiência dos envolvidos no processo de criação é determinante para desenhar um novo produto. Porém, nos ambientes de inovação, a valorização da experiência pode ser um risco. Ela pode ser uma âncora que o prende à superfície. O processo de inovação é um processo de ruptura, que implica olhar para a frente e, muitas vezes, esquecer o passado, ainda que momentaneamente.

Certa vez, em meio a uma acalorada discussão sobre posicionamento de menus em um novo site, eu propus, para espanto geral, fazer o site sem menu. Minha proposta foi tomada como brincadeira, mas não era esse o meu propósito. Evidentemente, minha sugestão não foi considerada, mas teria sido um bom momento para testarmos nossas convicções.

Ao desenhar para novas plataformas, ambientes ainda não totalmente testados, é necessário ouvir todas as áreas envolvidas, considerar com mais atenção as alternativas propostas e uma boa dose de coragem para arriscar novos formatos.

É por acreditar nisso que respeito a decisão tomada já há quase dois anos pela Forbes de reformular seu site. A nova homepage de Forbes.com, publicada há dois meses, é a expressão das mudanças em todo o site. Ela rompe com os modelos já tradicionais de homepages, propondo novas formas de classificação dos conteúdos e envolvendo diretamente o usuário e o marketing no processo. Recomendo uma leitura atenta ao post Inside Forbes: The 5 Reasons Behind Our Bold New Home Page, publicado por Lewis DVorkin, diretor de produto da Forbes Media. É uma pequena aula sobre o que descrevi acima. E olho nesse sujeito.

Há alguns dias, o site implantou um novo processo de busca nos conteúdos, chamado de Typeahead search. A princípio parece uma autocompletar, comum em vários campos de formulário na web. Mas o sistema todo é mais do que isso. Veja no exemplo abaixo. Ao chegar na terceira letra da busca por Eduardo Saverin, o sistema já vai apresentando muito rapidamente as opções de conteúdos classificados que possam atender a minha busca…

Mas o melhor vem depois. Ao clicar no item de busca desejado, o que se abre é uma página muito bem organizada e hierarquizada com acesso a todos os conteúdos relacionados à busca feita. A página oferece ainda caminhos para outros conteúdos que estejam relacionados de alguma modo com o objeto da busca. Vale a pena dedicar algum tempo fazendo buscas e observar as soluções empregadas pela Forbes.com para atender à curiosidade ou à necessidade de informação de seus leitores. Enriquecer as páginas de perfis como esta de Eduardo Saverin é um trabalho cotidiano da Redação.

Uma solução como esta exige da Redação um cuidado com a classificação dos conteúdos e revela um enorme zelo com o acervo. É mais do que colocar tags no que é publicado. É pensar que pessoas e empresas também fazem parte de uma rede de relacionamentos. E Forbes.com faz esta engenharia colocando a força de seu acervo a serviço do seu leitor.

Diferente da produção para veículos como revistas e jornais impressos que organizam seus arquivos por edição e data, os acervos digitais têm permanência, estão vivos. Isso nos leva a rever nossa ideia do prazo de validade da informação. Um acervo vivo e bem organizado, como a de Forbes.com, enriquecido diariamente, é valioso. E isso certamente é percebido pelo usuário que se encanta ao ver tantas opções e referências para algo que ele buscava.

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