Conheça os trabalhos brasileiros de Visualização e Infografia premiados no Malofiej23

Foram anunciados nesta sexta-feira, 20 de março, em Pamplona, na Espanha, os trabalhos vencedores do Infographics World Summit (Malofiej23), uma das mais prestigiosas premiações do Jornalismo visual. Transcrevo abaixo a lista dos premiados na categoria Online Graphics / Gráficos online. Há cinco trabalhos brasileiros entre aqueles que receberam medalhas nesta categoria. Quatro deles do GloboEsporte.com e o quinto da Folha.com, o que reflete a atenção dada pelo site esportivo à cobertura em ano de Copa. No total, foram nove os trabalhos brasileiros premiados no Malofiej.

Veja também a lista completa, que inclui os premiados na categoria Gráficos Impressos.


Online Graphics / Gráficos online

Breaking News / Noticias de actualidad inmediata

Bronze/Bronce Los Angeles Times (USA). Home Run Derby ‘shot’ chart
Bronze/Bronce Associated Press (USA). Inside an Ebola Camp
Bronze/Bronce Reuters (Singapore). Flight M370
Gold/Oro The New York Times (USA). Areas Under ISIS Control – Best of Show / Premio Peter Sullivan Award – Online
Bronze/Bronce Los Angeles Times (USA). 161 drought maps reveal just how thirsty California has become

Features / Reportajes

Silver/Plata Berliner Morgenpost (Germany). Why members of the German Parliament resign
Bronze/Bronce ProPublica (USA). Inside the Firewall: Tracking the News That China Blocks
Bronze/Bronce Reuters (Singapore). Fighting Islamic State
Bronze/Bronce Folha de S.Paulo (Brazil). Líquido e incerto
Gold/Oro The New York Times (USA). The Most Detailed Maps You’ll See From
the Midterm Elections – Best Map / Premio Miguel Urabayen Award – Online
Silver/Plata The Guardian (USA/UK). Midterms Collection
Silver/Plata The New York Times (USA). Assessing the Damage and Destruction in Gaza
Silver/Plata The New York Times (USA). Where We Came From and Where We Went,
State by State
Silver/Plata The New York Times (USA). How Birth Year Influences Political Views
Bronze/Bronce The New York Times (USA). Here Are the 43,634 Properties in Detroit That Were
on the Brink of Foreclosure This Year
Bronze/Bronce El Mundo (España). Atentados 11M. Investigación sentencia.
Bronze/Bronce Zeit Online (Germany). German Unification: A Nation Divided
Bronze/Bronce The Washington Post (USA). Ferguson coverage 1, 2, 3, 4, 5, 6, 7
Silver/Plata The New York Times (USA). Stop-and-Frisk’ Is All but Gone From New York
Bronze/Bronce The Washington Post (USA). Intensive care for a damaged dome
Silver/Plata Volkskrant (The Netherlands). What do those spending power predictions really mean?
Bronze/Bronce ProPublica (USA). The Millions New York Counties Coulda Got
Silver/Plata The New York Times (USA). How the Recession Reshaped the Economy, in 255 Charts
Silver/Plata GloboEsporte.com (Brazil). Cidade da Copa
Silver/Plata La Nación (Costa Rica). Fichajes del torneo de invierno
Bronze/Bronce Diari Ara (España). All Leo Messi’s Goals. Top scorer in the history of La Liga
Bronze/Bronce GloboEsporte.com (Brazil). Bobsled, a Fórmula 1 das Olimpíadas de Inverno
Silver/Plata The New York Times (USA). The Sochi Olympics, Frame by Frame
Silver/Plata The New York Times (USA). 342,000 Swings Later, Derek Jeter Calls It a Career
Gold/Oro National Geographic (USA). China’s Supercaves
Silver/Plata National Geographic (USA). 9 cities that love their trees
Silver/Plata Tabletop Whale (USA). Flight Videos Deconstructed
Bronze/Bronce Fundación YPF (Argentina). YPF: Métodos de extracción
Bronze/Bronce National Geographic (USA). Cosmic dawn: cosmic questions
Bronze/Bronce National Geographic (USA). A Nationwide cleanup
Bronze/Bronce Rossiya Segodnya International Information Agency (Russia). The Mosin Rifle:
A Legend of Russian Gunsmithing
Bronze/Bronce Quartz (USA). This is every active satellite orbiting earth
Silver/Plata ProPublica (USA). Losing Ground
Bronze/Bronce The New York Times (USA). What North Dakota Would Look Like if Its Oil Drilling Lines
Were Above Ground

Portfolios / Portafolios

Gold/Oro The New York Times (USA). Portfolio 1, 2, 3, 4, 5, 6, 7, 8
Bronze/Bronce Quartz (USA). Quartz staff, portfolio entry (various)

Criteria / Criterios

Bronze/Bronce GloboEsporte.com (Brazil). A Nova Casa Alviverde
Bronze/Bronce GloboEsporte.com (Brazil). A Casa dos Loucos
Gold/Oro The New York Times (USA). Inside the Quartet
Silver/Plata Los Angeles Times (USA). L.A.’s Eastside: Where do you draw the line?

Apps / Aplicaciones

Bronze/Bronce VG Norway (Norway). The Game of Norway
Bronze/Bronce The Times of London (UK). The mile

Specials / Especiales

Silver/Plata The New York Times (USA). World Cup Portfolio
Bronze/Bronce The Guardian (USA/UK). World Cup Portfolio

 


Líquido e Incerto

Folha   Gente demais   Crises da água   Tudo sobreSeis repórteres da Folha investigam três situações-limite que envolvem a água: a crise de abastecimento em São Paulo, a seca no semiárido nordestino e as inundações no Rio Madeira.

A reportagem, que ganhou bronze no Malofiej, usa vários elementos visuais para compor um completo panorama do uso da água: gráficos, gráficos em 3D, infografia interativa, vídeos, mapas, galerias com belíssimas imagens capatados por Lalo de Almeida, fotos 360 e o já tradicional sobrevoo do Folhacóptero complementam o texto.

Reportagem: Lalo de Almeida, Eduardo Geraque, Fernando Canzian, Rafael Garcia, Dimmi Amora e Marcelo Leite (coordenador) Fotografias e vídeos: Lalo de Almeida Edição de texto: Luiz Antonio Del Tedesco Editor de Arte: Fabio Marra Editor-adjunto de Arte: Mário Kanno Projeto gráfico e desenvolvimento: Pilker e Lucas Zimmermann Infografia, ilustrações e motion: Mário Kanno, Lucas Zimmermann, David Garroux, André Moscatelli Edição de vídeo: Bruno Scatena Finalização de vídeo: Douglas Lambert Tratamento de foto: Thiago Almeida e Edson Sales.


 

A Cidade da Copa

Cidade da Copa   globoesporte.comA história da Copa do Mundo de Futebol se transforma em uma cidade em que os dados são transformados em blocos e edifícios. Uma analogia do GloboEsporte.com para mostrar a cidade por inteiro. Narrativa em vídeo.

Criação: Carlos Lemos e Fabio Penna Narração: Thiago Leifert Ilustração: Mario Guilherme Revisão: Thiago Dias Versão em inglês: Daniel Minozzi, Fabio Sanches e Jon Cotterill Colaboradores: Alexandre Lage, Filipe Cunha, Renata Cuppen, Guilherme Roseguini e Ueliton Silva.


 

Bobsled – Fórmula 1 das Olimpíadas de Inverno

Bobsled   A Fórmula 1 das Olimpíadas de Inverno   globoesporte.comO trenó que desce por uma pista de gelo a 140 km/h é explicado em detalhes nessa reportagem visual do GloboEsporte.com produzida para os Jogos de Inverno. A reportagem se baseia em gráficos, 3D e vídeo.

Apuração: Helena Rebello e Amanda Kestelman Diagramação e infográficos: Mario Guilherme, Alexandre Lage e Fabio Penna Ilustrações vetoriais: Claudio Roberto Ilustrações 3D: Alexandre Lage Implementação: Ubiratan Braga


 

A nova casa alviverde

A nova casa alviverde   globoesporte.comGloboEsporte.com mostra numa maquete as novidades do novo estádio do Palmeiras, de São Paulo. Desenvolvida em 3D, a maquete é movimentada na tela para que cada elemento importante da estrutura possa ser visto de diversos ângulos e em detalhes.

O site não exibe os créditos do trabalho.

 


A casa dos loucos

A casa dos loucos   globoesporte.comO longo período da história do Corinthians sem um estádio que correspondesse à dimensão do clube serve de introdução à reportagem produzida pelo GloboEsporte.com para apresentar a nova arena em detalhes, com gráficos, vídeos e gráficos em 3D.

Infográfico: Alexandre Lage, Carlos Lemos, Fabio Penna e Mario Guilherme Narração vídeo: Abel Neto Texto: Leandro Canônico Pesquisa: CEDOC

Watching, a notícia de agora pelos olhos do The New York Times

Watching, bloco de informações de momento no The New York Times
Watching, bloco de informações de momento no The New York Times

Depois do lançamento do aplicativo NYT Now, iniciativa dedicada aos leitores de smartphones, phablets e tablets, o The New York Times lança uma nova funcionalidade, para o site e também dispositivos móveis, para tratar dos assuntos do momento. Watching surge para valorizar a homepage, cuja relevância segue tendência de queda. Para isso, ocupa uma área na primeira tela do usuário e reúne informações de diversas fontes: breaking news, tuítes, fotos e vídeos dos profissionais do NYT, notícias devidamente curadas de fontes confiáveis da web e informações já confirmadas ou disponíveis de apurações que ainda estão em andamento.

Esse último é um ponto muito importante. No fluxo gigantesco de informação da web, ter um lugar em que profissionais estão dedicados a tratar daquilo que está acontecendo no mundo neste momento, ajudando a elucidar rumores, colocando um freio na disseminação de boatos é alentador. Essa é uma função que cabe cada vez mais ao Jornalista.

Tomara que a iniciativa vingue e, a exemplo de outras do NYT, seja copiada.

Alberto Cairo, Mariana Santos e Sandra Crucianelli no Programa de Jornalismo de Dados do IICS

Mariana Santos
Mariana Santos

Mariana Santos (Fusion, Chicas Poderosas, ex-The Guardian), Alberto Cairo (Universidade de Miami), Adriana Garcia (Knight, Orbitalab, ex-Reuters), Gustavo Faleiros (InfoAmazônia, Knight), Alessandro Alvim (O Globo), Sandra Crucianelli (Knight), Marcelo Soares (Folha de S. Paulo), Érica Rolim (ISE), Daniel Bramatti (Estadão Dados), Fred Di Giácomo (Glück Project, ex-Abril) e Lyn Januzzi (Grupo RPC) são os primeiros professores confirmados do Programa de Jornalismo de Dados e Visualização que o IICS vai realizar em São Paulo na semana de 24 a 28 de novembro de 2014.

O curso é destinado a profissionais de jornalismo, design e programação que façam parte ou pretendam integrar equipes multidisciplinares que atuem em Redações ou em outras empresas ou instituições que trabalhem com Dados e Visualização. O programa multidisciplinar trata dos principais conceitos e ferramentas para apuração e interpretação de dados, uso de dados públicos e extração de dados de redes sociais, NewsGames, princípios de design aplicados à visualização, desafios da visualização e infografia modernas e a importancia do texto, do jornalismo e da narrativa em visualização.

Temas

Jornalismo de Dados
Técnicas e ferramentas para extração e análise de dados
Transparência e acesso à informação pública
Noções de Estatística para Jornalistas
Questões Jurídicas para uso de dados
Introdução à visualização
Novos formatos para a Infografia
Bases de Dados de Redes Sociais
Princípios de design aplicados a visualização
Gráficos estatísticos
Mapas interativos
Texto e narrativa em visualização
Workshop de animação
Formação de equipes multidisciplinares
Design Thinking

As isncrições estão abertas e podem ser feitas pela página do curso no site do Instituto Internacional de Ciências Sociais – IICS

Alberto Cairo
Alberto Cairo

Nova turma para o Master em Jornalismo Digital 2015

O IICS formou no dia 13 de setembro a turma de 2014 do Master em Jornalismo Digital da qual fizeram parte profissionais do G1, UOL, R7, Estadão, Correio Braziliense, SBT, TV Tribuna, Rede Amazônica, A Gazeta, Gazeta do Povo, Grupo RIC, WebMotors, Canal Rural, Diário de Pernambuco, Agora São Paulo e Jornalistas & Cia.

Turma de 2014 do Master em Jornalismo Digital 2014
Turma de 2014 do Master em Jornalismo Digital 2014

Entre os professores deste ano estavam Ramón Salaverría (Universidade de Navarra), Gumersindo Lafuente (ex-El País), Alberto Cairo (Universidade de Miami), Hugo Pardo (Outliers), Ana Brambilla, Marcelo Coutinho (Terra), Luciane Aquino (Terra), Gustavo Faleiros (InfoAmazônia), Guilherme Pereira (Gazeta do Povo), Adriana Garcia (Knight), Fabiana Zanni (Pearson), Luis Gracioli, Caíque Severo, Altair Nobre, Fernanda Leonardi, Rafael Ruiz, Fred Di Giacomo, Alessandro Alvim (O Globo), Marcelo Soares (Folha de S. Paulo), Lyn Jannuzzi (RPC), Edson Rossi (Abril), Matias Attwell (Terra), Nivia Carvalho, Adriana Barsotti, Sandra Gonçalves (Gazeta do Povo), Leo Dresch, Diogo Zanatta (ISE), Cesar Bullara (ISE), Eliseu Barreira Júnior (TV Globo) e Daniel Bramatti (Estadão).

Nas 160 horas de curso foram realizadas conferências com Bruno Venditti (Band) e Michelle Raphaelli (Rádio Gaúcha), Claudia Belfort (/Ponte) e Ricardo Anderáos (Brasil Post).

E agora já estão abertas as inscrições para o programa de 2015. Abaixo, o programa completo.

A participação do leitor

A interatividade é uma das mais marcantes características do Jornalismo Digital principalmente pela possibilidade de interação pelo próprio meio. Esse, porém, é um tema sempre em aberto, que não se define, que não se consolida. Isso ocorre por ao menos duas razões: as redes sociais aproveitaram essa indecisão e se transformaram no espaço de opinião das audiências e a falta de convicção dos produtores de conteúdo em geral sobre a importância de abrir e fazer a gestão dos espaços de convivência com o público.

Muitos editores alegam que a baixa qualidade do que é postado pelos leitores é uma razão suficiente para que os espaços de comentários sejam fechados. Mas muitos deles cobram da audiência aquilo que não oferecem em suas homes. A luta por audiência a qualquer preço, que faz com que os sites publiquem conteúdos sensacionalistas para atrair um grande volume de público, uma audiência volátil que não cria laços com a marca ou o produto, certamente ajuda a atrair comentaristas descompromissados com a qualidade do debate.

A participação do leitor, os prós e contras, os desafios, ferramentas e alguns casos de veículos que resolveram ou se encaminham para uma boa solução desse tema constam da apresentação que fiz para os alunos do Master em Jornalismo Digital do IICS agora em agosto e que reproduzo abaixo para os interessados.

Eliane Brum e o triunfo das eu.com

eliane brum
Eliane Brum (Reprodução Facebook)

Uma década atrás, quando um colunista saía de um veículo de comunicação, ele deixava para trás o nome de sua coluna, as matrizes do conteúdo que produziu e, principalmente, seu público. Para os veículos, bastava achar um nome que o substituísse à altura. O jornalista era dependente e, de certo modo, refém do seu veículo de comunicação.

De lá para cá isso mudou, embora ainda exista nas Redações quem não perceba. A jornalista e documentarista Eliane Brum é um exemplo perfeito e recente dessa mudança. Nessa última década, ela foi repórter e, nos últimos anos, colunista do site da revista Época. Os textos de Eliane conquistaram um público fiel, formado não mais por leitores passivos, mas por leitores ativos que passaram a compartilhar suas colunas nas redes sociais. Uma multidão de 235 mil leitores curtiu uma dessas colunas – Meu filho, você não merece nada – no Facebook. Paralelo a isso, ela criou seu canal no Twitter e uma página no Facebook, o que lhe garante um público conectado de mais 50 mil leitores.

Há algumas semanas, Eliane deixou o site de Época. Na internet, quem abre mão de profissionais como Eliane Brum, corre o risco de perder também o público que os lê. No Jornalismo digital há um grupo cada vez mais numeroso de profissionais que se tornaram insubstituíveis porque levam consigo seus públicos. Ela faz parte desse time.

Na semana passada, Eliane começou a publicar uma nova coluna no site brasileiro do jornal espanhol El País, lançado na terça-feira. Mesmo publicando num site estreante e ainda pouco conhecido, ela já contabilizava no dia seguinte mais de 20 mil compartilhamentos no Facebook. Sua rede continua ativa e seu público se reorienta para continuar a segui-la. Em paralelo, suas colunas anteriores ainda estão disponíveis na web, seu acervo permanece acessível e criando mais seguidores. Os novos e os habituais leitores encontrarão facilmente o novo espaço da jornalista e se mostrarão dispostos a ler seus textos enquanto ela estiver elaborando conteúdos que lhes interessem.

Eu.com

Assim como Eliane Brum, há inúmeros casos de profissionais que conseguem nas redes sociais um número de seguidores superior aos que conseguem alcançar as marcas dos veículos em que atuam. É o caso de profissionais como William Bonner, que tem no Twitter cinco vezes o número de seguidores do canal do Jornal Nacional, ou de Luciano Huck, que tem bem mais seguidores que o perfil oficial da Rede Globo.

E deveria ser o caso de todos os profissionais de comunicação. O jornalista não deve perder a oportunidade de levar sua marca pessoal para a internet. Mais do que isso, ele deveria planejar a sua presença e atuação na web, criar relações com seu público e usar as redes sociais como instrumento para fortalecer sua marca. Seus seguidores serão seu público permanente, onde quer que ele atue. Essa estratégia não necessariamente deve estar apartada do veículo em que trabalha. Pelo contrário, a divulgação dos conteúdos na rede de relacionamento do jornalista ajuda o jornal, rádio, site ou TV enquanto os dois, profissional e empresa, forem parceiros.

Compare

William Bonner  realwbonner  no Twitter

Jornal Nacional  JNTVGloboBrasil  no Twitter

Luciano Huck  LucianoHuck  no Twitter

Globo  rede_globo  no Twitter

Otimização para Interatividade com a Audiência?

Em 2009, eu lecionei no Master em Jornalismo uma cadeira chamada “Instrumentos de Interatividade com a Audiência”. O tema resistiu pouco no currículo do curso, atropelado pela necessidade de conhecimento acerca de redes sociais, a grande curiosidade daquele momento. Essa mudança acadêmica, a meu ver, reflete o que aconteceu nas Redações. A atenção se voltou para as mídias sociais e os instrumentos e canais próprios de interação com os leitores ficaram em segundo plano.

O que não poderíamos ter esquecido é que o nosso ambiente e o das redes têm pontos de conexão, mas são mundos diferentes. Embora eu admita que seria impossível conter essa natural migração para os novos ambientes criados por Twitter, Facebook e outros, entendo que não precisaríamos ter aberto mão das nossas áreas de interação.

Numa apresentação que preparei sobre o tema – e que reproduzo abaixo para os interessados – faço uma revisão das ferramentas mais importantes e alguns dos motivadores que tínhamos para usá-las. Relembrar um pouco delas, por mais óbvio que pareça, é um bom exercício.

Nesse documento, proponho a criação de técnicas, na linha de SEO e SMO, de otimização da interatividade com a audiência atendendo a dois grupos de usuários distintos. Para o leitor, incentivo e facilidade para interação; para o jornalista, produtividade e facilidade para gestão.

Também procuro descrever algumas funcionalidades que promovem a aproximação e criam mais pontos de conexão entre os dois ambientes digitais: o das redes e os nossos sites. Proponho também encarar alguns conteúdos como um empreendimento, um exercício de inovação que considere na sua elaboração o envolvimento de pessoas com perfis diferentes, conteúdos que sirvam a várias plataformas, com expectativa de viralizar e possam construir comunidades em seu entorno, mesmo que essas redes se tornem obsoletas quando o interesse pelo tema definhar. O uso intensivo das mídias sociais deu experiência aos usuários e eles não se importarão com a volatilidade dessas novas redes se ingressar nelas for algo muito simples.

Modelo de negócio ou modelo de negação

No domingo tentei comprar a edição web de um jornal do Sul do país. Estava interessado em um texto específico, mas, sem a esperança de poder pagar somente por ele, pensei comprar a edição do dia, ler o que me interessava e descartar o restante. O leitor, no entanto, é um herói no Brasil. Para ler um único texto, a publicação exigia que eu fizesse uma assinatura mensal. Resultado: acabei pedindo ajuda pelo Facebook. Em instantes, li o artigo sem pagar nada.

The DailyEsse episódio guarda semelhanças com as edições para tablet de vários periódicos brasileiros. Embora as publicações não tenham nas versões digitais os custos de impressão e alguns de distribuição – e o leitor arque com a compra do aparelho, a conexão de internet para fazer o download e com o espaço para armazenamento -, as edições para tablet cobram preço superior ao do impresso. Será que este é um modelo de negócio para vingar ou é um modelo de negação do negócio?

Hoje, Jeff Jarvis comenta no The Guardian o anunciado fechamento do The Daily, criado em fevereiro de 2011 e visto como a redenção do modelo impresso levado ao digital; a possibilidade de manutenção dos modelos de produção e remuneração já testados nos impressos; a vingança contra o modelo gratuito da internet que fez sangrar as empresas de mídia nessa última década.

Jarvis lista três razões pelas quais a morte do The Daily estava anunciada desde o começo:

  1. O Paywall 
  2. Produto destinado a um único tipo de aparelho
  3. Edição em pacotes

Não quero repetir os argumentos de Jarvis, mas quero comentar dois deles.

O que poderia manter ativa a publicação e garantido seu modelo de cobrança pelo conteúdo seria a sua relevância, a sua originalidade. Porém, o texto de Jarvis dá pistas sobre os obstáculos desse caminho. Ele reproduz declaração de Larry Kramer, do USA Today, ao explicar por que não levanta um paywall em seu jornal: “nós não somos suficientemente originais” para cobrar pelo conteúdo.

Os meios digitais derrubaram limites no jornalismo. Um deles é a obrigação de criar pacotes determinados pelo tempo. O jornalismo online pode se livrar do fantasma do fechamento, da exigência de seguir prazos definidos pela indústria e não pela maturidade do conteúdo. Um ciclo de 24 horas ou de 7 dias consolida a informação do período, mas não melhora o resultado da edição para o leitor, pelo contrário. Para os leitores já habituados a acessar informações pela internet, esse ciclo obrigatório não faz sentido. É uma pena que os meios façam de tudo para preservá-lo.

O que deve fazer o jornalista diante do boato

  1. Na manhã deste sábado, 3 de novembro de 2012, um boato se espalhou pelo Twitter e chegou alcançou uma das principais posições nos Trending Topics, o ranking dos termos mais postados na rede social. O boato, que deu repercussão à hashtag #ENEM2012cancelado, procurava confundir os 5,8 milhões de inscritos para as provas do ENEM.
  2. Ao que tudo indica, o boato começou com uma série de posts do usuário @gui_pangua (Chora Minha Nega). O primeiro teria sido publicado às 10:08, duas horas antes do início da prova. A este seguiram-se outros:
  3. gui_pangua
    BREAKING NEWS #ENEM2012cancelado
    Sat, Nov 03 2012 10:08:39
  4. gui_pangua
    porra acordei cedo pra essa merda de uma hora antes eles cancelam ??? NAO FAS SENTIDO #ENEM2012cancelado
    Sat, Nov 03 2012 10:12:56
  5. gui_pangua
    o melhor q eu posso fazer é chorar agora :’( estudei o ano inteiro pra essa prova, era o meu futuro ali… #ENEM2012cancelado
    Sat, Nov 03 2012 10:17:16
  6. Nestes dois próximos, ele sugere que G1 e TV Globo teriam noticiado o cancelamento e no terceiro responde a outro usuário:
  7. gui_pangua
    RT @g1 Hacker consegue nessa madrugada invadir sistema do ministério da educação e rouba as respostas do ENEM #ENEM2012cancelado
    Sat, Nov 03 2012 10:22:05
  8. gui_pangua
    MEU DEUS PLANTÃO DA GLOBO AVISANDO QUE O ENEM FOI CANCELADO #ENEM2012cancelado
    Sat, Nov 03 2012 10:22:52
  9. gui_pangua
    O TEMA DA REDAÇÃO DO ENEM DESSE ANO IA SER MEMES, PENSANDO BEM O CANCELAMENTO NAO FOI TÃO RUIM ASSIM #ENEM2012cancelado
    Sat, Nov 03 2012 10:39:04
  10. gui_pangua
    nao mais #ENEM2012cancelado RT @thaiskauana1: Vou comer e depois tomar banho que daqui a pouco tem ENEM neh
    Sat, Nov 03 2012 10:40:50
  11. Às 11h16, o MEC publica no Twitter uma mensagem dizendo que identificou a origem do boato. Os portais começam a publicar a notícia e tuitar a informação, mas muitos deles só o fazem depois do início da prova.
  12. MEC_Comunicacao
    Polícia Federal monitora a rede social e identificou origem de hashtag com o objetivo de tumultuar a prova. O Enem está confirmado!
    Sat, Nov 03 2012 11:16:27
  13. JornalOGlobo
    MEC desmente boato sobre cancelamento do Enem. PF diz ter identificado origem de hashtag. http://migre.me/bxK8y
    Sat, Nov 03 2012 11:49:06
  14. UOLNoticias
    MEC desmente boatos de cancelamento do Enem 2012; segundo a pasta, PF já identificou origem do boato http://educacao.uol.com.br/noticias/2012/11/03/mec-desmente-boatos-de-cancelamento-do-enem-2012.htm
    Sat, Nov 03 2012 12:13:35
  15. igeducacao
    MEC desmente boato de cancelamento do Enem http://bit.ly/Vmyr3x
    Sat, Nov 03 2012 12:48:13
  16. TerraNoticiasBR
    Polícia descobre origem de boato sobre cancelamento do Enem http://bit.ly/RAwwUu #TerraEducação
    Sat, Nov 03 2012 12:57:34
  17. O perfil de Educação do Estadão tenta entrevistar o suspeito de ter iniciado o boato:
  18. EstadaoEdu
    @gui_pangua Oi! Vc quer nos dar uma entrevista para falar sobre o Enem?
    Sat, Nov 03 2012 12:26:00
  19. E depois publica a versão do suspeito:
  20. EstadaoEdu
    Tuiteiro nega ter criado boatos sobre cancelamento do Enem – ‘É injusto o MEC me responsabilizar.’ – http://ow.ly/eZF7X #EstadaoEnem
    Sat, Nov 03 2012 08:26:36
  21. Numa prova de que a maioria dos perfis dos portais no Twitter está mais dedicada a criar audiência para seus sites, quase todos tuitaram sua cobertura sobre o assunto, mas poucos interviram com a intenção de parar os boatos e elucidar os fatos. Foi bem o Estadão. O perfil do jornal no Twitter fez contato com o acusado e procurou esclarecer seus seguidores. Ao postar o alerta, o jornal usou a hashtag no post, o que fez com que ele pudesse aparecer na timeline de quem clicou nessa hashtag à procura de mais informações.
  22. Estadao
    A hashtag #EnemCancelado, nos TTs mundiais esta manhã, é falsa, confirmam fontes do MEC http://migre.me/bxJYS
    Sat, Nov 03 2012 06:46:58
  23. O perfil do Twitter do Jornal Hoje, da TV Globo, foi mais longe. Fez o alerta assim como o Estadão, mas ainda aproveitou para chamar a atenção dos estudantes para a cobertura do jornal e fazer um afago na audiência.
  24. JHoje
    Estudante, fique tranquilo. O Enem 2012 não foi cancelado. Acompanhe no G1: http://glo.bo/9fOO7l. Boa prova e boa sorte! #ENEM2012cancelado
    Sat, Nov 03 2012 06:46:40
  25. Intervir e usar a hashtag já é muito, mas melhor seria se os perfis jornalísticos no Twitter direcionassem o esclarecimento para os perfis com muitos seguidores que estavam inadvertidamente retuitando uma informação falsa. Pode parecer um exagero, mas é aí que o jornalismo mostra seu valor para a sociedade.

As lições da Forbes.com

No processo de desenvolvimento de produtos para plataformas digitais ainda é comum ver convicções mais do que técnicas – como testes de usabilidade e focus groups – norteando as escolhas. Nesses casos, quase sempre as convicções de quem pode mais acabam se sobrepondo às demais e determinando os novos formatos. É o produto feito literalmente para um usuário único.

Mesmo em ambientes mais plurais, em que as decisões são tomadas depois de discussões intensas, há o risco de se formatar produtos que são resultado de uma média das convicções participantes do processo de decisão.

Na base disso está uma outra convicção: a de que a experiência dos envolvidos no processo de criação é determinante para desenhar um novo produto. Porém, nos ambientes de inovação, a valorização da experiência pode ser um risco. Ela pode ser uma âncora que o prende à superfície. O processo de inovação é um processo de ruptura, que implica olhar para a frente e, muitas vezes, esquecer o passado, ainda que momentaneamente.

Certa vez, em meio a uma acalorada discussão sobre posicionamento de menus em um novo site, eu propus, para espanto geral, fazer o site sem menu. Minha proposta foi tomada como brincadeira, mas não era esse o meu propósito. Evidentemente, minha sugestão não foi considerada, mas teria sido um bom momento para testarmos nossas convicções.

Ao desenhar para novas plataformas, ambientes ainda não totalmente testados, é necessário ouvir todas as áreas envolvidas, considerar com mais atenção as alternativas propostas e uma boa dose de coragem para arriscar novos formatos.

É por acreditar nisso que respeito a decisão tomada já há quase dois anos pela Forbes de reformular seu site. A nova homepage de Forbes.com, publicada há dois meses, é a expressão das mudanças em todo o site. Ela rompe com os modelos já tradicionais de homepages, propondo novas formas de classificação dos conteúdos e envolvendo diretamente o usuário e o marketing no processo. Recomendo uma leitura atenta ao post Inside Forbes: The 5 Reasons Behind Our Bold New Home Page, publicado por Lewis DVorkin, diretor de produto da Forbes Media. É uma pequena aula sobre o que descrevi acima. E olho nesse sujeito.

Há alguns dias, o site implantou um novo processo de busca nos conteúdos, chamado de Typeahead search. A princípio parece uma autocompletar, comum em vários campos de formulário na web. Mas o sistema todo é mais do que isso. Veja no exemplo abaixo. Ao chegar na terceira letra da busca por Eduardo Saverin, o sistema já vai apresentando muito rapidamente as opções de conteúdos classificados que possam atender a minha busca…

Mas o melhor vem depois. Ao clicar no item de busca desejado, o que se abre é uma página muito bem organizada e hierarquizada com acesso a todos os conteúdos relacionados à busca feita. A página oferece ainda caminhos para outros conteúdos que estejam relacionados de alguma modo com o objeto da busca. Vale a pena dedicar algum tempo fazendo buscas e observar as soluções empregadas pela Forbes.com para atender à curiosidade ou à necessidade de informação de seus leitores. Enriquecer as páginas de perfis como esta de Eduardo Saverin é um trabalho cotidiano da Redação.

Uma solução como esta exige da Redação um cuidado com a classificação dos conteúdos e revela um enorme zelo com o acervo. É mais do que colocar tags no que é publicado. É pensar que pessoas e empresas também fazem parte de uma rede de relacionamentos. E Forbes.com faz esta engenharia colocando a força de seu acervo a serviço do seu leitor.

Diferente da produção para veículos como revistas e jornais impressos que organizam seus arquivos por edição e data, os acervos digitais têm permanência, estão vivos. Isso nos leva a rever nossa ideia do prazo de validade da informação. Um acervo vivo e bem organizado, como a de Forbes.com, enriquecido diariamente, é valioso. E isso certamente é percebido pelo usuário que se encanta ao ver tantas opções e referências para algo que ele buscava.