Você já tem seu mural no Pinterest?

Imagine o seu quarto de adolescente. Em uma das paredes, você coloca vários quadros e cria um rótulo, uma legenda para cada um deles. Você escolhe o que vai colocar em cada um desses quadros. Pode ser fotos dos seus amigos, fotos de jogadores do seu time, imagens de quando você era criança, as capas dos álbuns que você mais gosta de ouvir, etc. Pois, o Pinterest, o mais recente fenômeno nas mídias sociais, faz algo semelhante, só que na internet. Nele, você tem um grande mural para organizar aquilo que você gostaria de guardar da web ou de seu computador. Você pode criar “boards”, quadros definidos por temas, e neles incluir seus “recortes”, fixados pelos “pins”. Ao abrir a página do Pinterest de alguém, você se depara com um mural de recortes, uma parede virtual, com quadros cheios de imagens que ao serem clicadas exibem algum conteúdo ou lincam para uma página em um outro site da internet.

Você pode seguir o Pinterest de alguém ou somente um determinado board, dar um “like”, comentar ou até colocar um pin e copiar um desses recortes para um dos quadros do seu próprio mural. Você pode ver o que foi compartilhado por quem você segue ou selecionar um tema e nele navegar por tudo o que foi compartilhado no Pinterest. Além disso, a busca é um grande instrumento para encontrar conteúdos, principalmente se você quer monitorar algo sobre sua marca ou um produto. Quem usa sites como Delicious, Evernote e outros verá no Pinterest algo semelhante, mas com uma evolução visual muito grande e uma indexação muito mais simples.

Para criar uma conta no Pinterest ainda é necessário obter um convite, mas o crescimento da rede é espantoso. Um relatório da Hitwise mostra que em uma semana, em meados de dezembro, o Pinterest recebeu 11 milhões de visitas, 40 vezes mais do que havia recebido 6 meses antes, na última semana de junho. Veja o gráfico abaixo:

Outro levantamento, da Shareholic, mostra que para as publicações, o Pinterest já gera mais tráfego do que YouTube, Google + e Linkedin somados:

Meios de comunicação americanos já usam o Pinterest para expor links de suas coberturas ou para organizar conteúdos visuais. Eventos como New York Fashion Week e a entrega do Grammys, por exemplo, já ocuparam bons espaços nessa mídia social. É hora de acompanhar o que está sendo feito e testado, mas é fundamental que também façamos os nossos testes porque os públicos são distintos. No Brasil, só vi até agora uma página, ainda vazia, da revista Capricho. Mas mesmo que a ideia seja esperar o crescimento da rede para decidir se haverá uso dela nas sua estratégia para mídias sociais, é muito importante agora o registro das marcas, a reserva do espaço no Pinterest.

Veja abaixo alguns exemplos de uso pela mídia americana. Chamo especial atenção para a página do The Wall Street Journal.

Time Magazine

The Wall Street Journal

Usa Today

Life

E há muitos outros como Mashable, Huffington Post, CNN iReport, The Next WebNewsweek etc. Você viu algum que chamou sua atenção? Compartilhe o link na área de comentários.

Os números de Facebook e YouTube no Brasil

Há 37,9 milhões de usuários brasileiros no Facebook e o Brasil ocupa agora a 4ª posição no ranking de países com mais usuários na rede social. Praticamente a metade dos brasileiros que acessam a internet possui um perfil no Facebook. São Paulo é a cidade com mais seguidores no país, com 4,06 milhões de perfis.

Os números são do site Socialbakers.com, que divulgou, em formato gráfico, o Social Media Report for Brazil, com dados fechados em janeiro de 2012. No relatório constam rankings de marcas, dados demográficos e informações do YouTube:

O Twitter, o seu direito de opinião e a responsabilidade do jornalista nas redes sociais

No Brasil, todos são um pouco médicos, um pouco treinadores de futebol, conforme um dito muito popular. Nem uma coisa nem outra. A verdade por trás do ditado é que o brasileiro é um sujeito que tem opinião e gosta de manifestá-la. Isso não seria um problema se todos tivéssemos informação suficiente para produzir uma elaboração própria para os assuntos sobre os quais nos manifestássemos. Opiniões informadas. Não é assim, mas para o jornalista é hora de atuar com responsabilidade.

As redes sociais – e principalmente o Twitter – têm sido responsabilizadas pela disseminação de opiniões deformadas e, mais grave, de informação imprecisa, incorreta ou deturpada. Calma lá. O mundo mudou rapidamente, mas as pessoas nem tanto. Os “cidadãos comuns” ganharam alto-falantes, mas os processos que conformam suas opiniões e sua índole não mudaram desde que eles começaram a se manifestar na internet. Diferente de antes, há agora um espaço de convívio em que os defeitos e as virtudes podem eventualmente obter uma grande repercussão. Na maioria das vezes, nada provocam.

O Twitter, já escrevi aqui, mede o pulso da rede. E é o melhor lugar hoje para se abastecer de informação instantânea. Da notícia que brota, in natura, nos mais diversos lugares do planeta, direto da fonte, até os mais maldosos boatos. A função do jornalista é zelar pela boa informação. E seu papel no Twitter, mais do que disseminar links para gerar tráfego de audiência, é refutar a informação incorreta, enriquecer a informação inconsistente e ajudar a reformar a opinião deturpada. Esclarecer é a função eterna do jornalista, em qualquer meio. Na internet, ele pode espalhar a informação corretamente apurada com a mesma velocidade do boato e com a vantagem da credibilidade da sua marca pessoal.

Hashtag #RipCher que sugeria erradamente a morte de Cher

Acompanhar essa forte correnteza de informações é uma tarefa demasiadamente complexa, mas atentar para o que os TTs, os assuntos do momento, trazem à tona é uma obrigação. Basta clicar em uma das hashtags da lista para ver a afluência vertiginosa de tuítes. Nesse fluxo, boa parte dos tuítes revela que as pessoas estão boiando, à procura de alguém que as esclareça. O episódio da invasão do #Pinheirinho, a área ocupada, e agora desocupada, em São José dos Campos é exemplar. Enquanto a mídia atuante no Twitter estava preocupada com a promoção de seus links, os boatos ocuparam um espaço em que a verdade afundava. Os canais de jornalismo no Twitter deveriam atacar rapidamente a inverdade e o boato, deixar claro que o que corre nas timelines ainda não está confirmado, se este for o caso, que seus jornalistas estão averiguando os fatos denunciados etc.

O que quero dizer é que o Twitter, como qualquer outra rede social, não deveria ser somente uma ferramenta de marketing para os veículos de informação, online ou off-line. Entendido como um meio autônomo, o Twitter exige do jornalista o mesmo rigor na apuração e no esclarecimento dos fatos que estão sendo comentados. O jornalista deve agir com a agilidade do bombeiro, ele tem o dever de intervir quando a informação falsa ou não apurada corretamente está emergindo.

Não reconhecer seu papel nesse meio e o direito à opinião, mesmo quando deturpada, das pessoas que se manifestam pelo Twitter é um sinal de prepotência. Atribuir ao Twitter a responsabilidade pelo que as pessoas dizem é uma leviandade tão grande quanto disseminar informação imprecisa. E não ajuda a aperfeiçoar a opinião pública.

Leia também: Como o Twitter mudou o jornalismo

Para falar com celebridades a mensagem é o meio

As histórias começam assim

Um jovem inglês, até este momento com 170 seguidores no Twitter, publica uma mensagem em seu perfil, direcionada ao ex-jogador Ronaldo e ao ator Charlie Sheen, entre outros:

Um sargento americano servindo no Afeganistão publica um vídeo no YouTube direcionado à atriz Mila Kunis:

As histórias são semelhantes: dois desconhecidos tentando fazer contato com celebridades que vivem numa dimensão diferente da sua, inacessíveis, inatingíveis. Mas o mundo mudou e o final dessas histórias também.

As histórias terminam assim

Para o jovem inglês:

e depois:

Para o sargento americano:

Mila Kunis e o sargento Scott Moore no baile dos Marines

E a repercussão:

Ambos os casos são ótimos exemplos da mudança. A novidade não está na fama efêmera que esses dois personagens conquistaram, mas na realização do sonho de suas vidas pela suas próprias iniciativas. Os canais pessoais criados nas redes sociais podem ter uma força impressionante para pessoas ou causas que sempre dependiam de um outro meio para alcançar seus objetivos. Agora, esse sujeito comum pode chegar ele mesmo ao protagonismo sem intermediação. A mensagem é o meio.

14 regras para atuação dos funcionários de sua empresa em redes sociais e sites pessoais na internet

No Brasil há 35 milhões de usuários do Facebook (4 mi só em São Paulo); o Linkedin tem 6 milhões; o Orkut, 29; e o Twitter tem quase 15 milhões. Somados, os números alcançam algo próximo a 85 milhões de perfis em redes sociais no país. Nem é necessário somar os blogs, que formam com as mídias sociais um imenso universo de canais pessoais de comunicação, para ter uma dimensão do que representa essa internet social.

Esse enorme fluxo de comunicação pode ser favorável ou danoso tanto para os usuários quanto para as empresas ou instituições às quais essas pessoas estão ligadas. O dano e o benefício muitas vezes estão do mesmo lado, invisíveis. No ambiente corporativo, ter regras ou adotar linhas de uso para a internet social é algo que pode ajudar empregado e empregador, trazendo à tona a identificação do que é um risco (para a pessoa e/ou para a instituição) e o que é vantajoso para um ou outro.

Como o uso de redes sociais ainda é algo recente, a maior parte dos atuais usuários não fazia uso dessas ferramentas há cinco anos atrás, vou descrever abaixo uma sugestão de regramento que pode ser usada pelas empresas para configurar um regulamento básico, uma referência para entender o que é ou não aceito. Para tornar este documento rico e vivo, peço que qualquer dúvida ou sugestão seja postada no espaço de comentários.

Orientações gerais para uso de redes sociais e páginas pessoais de gestores e colaboradores

Entendemos que a comunicação amplia os horizontes, enriquece a cultura e torna as pessoas mais felizes; Reconhecemos que as ferramentas propiciadas ou disponíveis na internet ajudam na comunicação e aproximam as pessoas; Acreditamos que o domínio da linguagem das mídias digitais ajuda a criar um ambiente rico em cultura digital e um campo fértil para a inovação; Por tudo isso, incentivamos a criação de perfis em redes sociais e a atuação dos nossos colaboradores em sites pessoais na internet.

Procuramos preservar a imagem e os interesses da empresa, de nossas marcas e nossos produtos e estamos sempre motivados a melhorar o relacionamento com nossos públicos (consumidores, acionistas, fornecedores, funcionários, comunidade etc).

Entendemos que a participação de nossos colaboradores em redes sociais e sites na internet não pode colocar em risco os valores e as relações que a empresa busca preservar, nem causar danos à reputação de seus colaboradores, nem provocar prejuízos econômicos diretos ou indiretos.

Estamos cientes do quão difícil é separar o que é público do que é privado nas mídias sociais. Qualquer informação, mesmo com as restrições possíveis, pode se tornar pública.

Para definir a nossa visão sobre o tema, publicamos as seguintes orientações, que servirão como referência para a atuação em redes sociais e sites pessoais na internet de todos os nossos gestores e colaboradores:

Identificação com a empresa

1) Incentivamos gestores e colaboradores a usarem seus nomes reais em redes sociais e sites pessoais na internet e identificarem em seus perfis a sua relação com a empresa;

2) Se outras pessoas puderem identificá-lo com a empresa em sua atuação pessoal na internet, não tome partido em questões que possam trazer algum risco à imagem da companhia. Em caso de dúvida, consulte seu gestor sobre a propriedade ou não da publicação;

3) Você é responsável pelo que publica. Não faça críticas a profissionais da empresa,  fornecedores ou clientes em seus sites pessoais;

4) Nas redes sociais ou em sites pessoais, certifique-se que o conteúdo seja realmente pessoal e não tenha qualquer relação com a sua atividade na empresa;

5) Não compartilhe, nas suas páginas pessoais, informações confidenciais da empresa e não comente assuntos internos tratados em reuniões ou em conversas com colegas de trabalho;

6) A empresa deixará claro quando pretender tornar pública alguma informação que você possa compartilhar. Nesses casos, sua colaboração para divulgar essas informações ou campanhas nas redes sociais ou sites em que atua será bem-vinda;

Vantagens pessoais

7) Você pode ser remunerado ou obter algum proveito econômico com suas páginas pessoais na internet desde que essa atividade não concorra com as da empresa e tenha sido autorizada pelo seu gestor;

8) Você pode atualizar suas páginas pessoais nos computadores da empresa desde que isso não afete suas atividades, nem as de seus colegas e seja de conhecimento de seu gestor;

Privacidade e reputação

9) Não comprometa sua reputação. Não publique em sites pessoais informações ou opiniões que possam causar constrangimentos futuros ou danos a sua credibilidade profissional;

10) Não publique informações que prejudiquem a reputação da empresa, suas marcas ou seus produtos;

11) Pense duas vezes antes de postar;

12) Não faça na internet o que você não faria no mundo real;

Gestores

13) Os gestores devem ter conhecimento das atividades de seus colaboradores em sites pessoais e redes sociais e zelar pelo cumprimento dessas regras gerais e pelo interesse da empresa;

14) Cabe aos gestores arbitrar com bom senso as questões não contempladas nessas regras gerais.

Seu Twitter vai tirar férias?

Para quem usa o Twitter como um canal pessoal ou para relacionamento com a rede de amigos, é fácil. As festas ou as férias, antes de um impeditivo, rendem posts, comentários, vídeos e fotos, assunto para engrossar a timeline dos seguidores. Munidos de celulares com câmera e acesso à internet, esse bando não para e interage enquanto durarem seus estoques de força.

Mas, e nas empresas que conservam o tradicional expediente, como isso vai funcionar? O que será da rede enquanto a firma estiver de folga? Essa questão me vem a propósito de um post da TAM que encontrei na correnteza do meu Twitter.

Ou seja, enquanto as mais de 150 aeronaves da companhia estarão voando pelos céus nas 24 horas do dia, os passarinhos azuis da @TAMAirlines estarão calados nas gaiolas por 16h, liberados para o gorjeio em apenas 1/3 do tempo durante os dias de festejos.

Embora eu louve a transparência e considere honesto o gesto da companhia de informar seus horários (ela também identifica o horário de funcionamento online nas informações de seu perfil), penso nos usuários que fora desse período desejarem interagir com a empresa pela rede social.

Fiz um teste básico com a ajuda do Timely, um aplicativo que identifica os horários de maior engajamento no Twitter analisando os últimos 199 posts do perfil (Ele usa o resultado para convencê-lo a agendar posts por uma ferramenta web). O resultado está no quadro abaixo:

Esquema de horários de melhor engajamento no Twitter para @TAMAirlines

Embora a companhia vá perder dois dos melhores horários para postar no Twitter, essa perda poderá ser irrisória já que estamos falando em quatro dias somente. Usei o exemplo para marcar uma diferença entre uma operação física e outra online. Há dois pontos mais relevantes que nos devem fazer pensar.

Um deles, é a necessidade cada vez maior de quebrar os limites de tempo que têm as empresas que querem operar online. Como cada pessoa acessa a internet do seu jeito e pratica uma experiência muito própria na rede, a definição de um horário de expediente se tornou arcaica. Se não há como manter um serviço por 24 horas no Twitter, talvez seja melhor identificar os horários em que esse atendimento esteja disponível para um número maior de pessoas.

Por último e mais importante, se você consegue ter em torno de sua marca, produto ou empresa uma comunidade fiel, você terá conseguido uma legião de pessoas que vão ajudá-lo enquanto ajudam os outros, o que não se consegue sem muita dedicação e transparência. Conquistada essa comunidade, o apoio desses simpatizantes se mostrará tanto nas questões mais graves quanto nos momentos em que uma simples informação for o bastante. Seria o caso, por exemplo, de uma resposta dada por um terceiro a alguém que questionou sua empresa fora do horário de expediente. Algo como:

Ei, @Fulano, a @TAMAirlines só atenderá até as 17h no Natal.

Sua comunidade guarda o seu lugar enquanto você está fora. Não é fantástico?

O último ano do resto de nossas vidas será tuitado

Cartaz de divulgação de 2012

Amanhã é 21 de dezembro. Restará somente um ano para clicar no botão curtir até que a chegada do fim dos tempos delete os nossos perfis reais e virtuais. Isso ao menos para aquela parcela da população que crê nas maldições que nos aguardam ao final do ciclo do calendário maia que se fechará em 2012. Para os outros 7 bilhões e poucos de habitantes deste planeta, a vida deve continuar na mesma, mas a data do fim do mundo, 21 de dezembro de 2012, não passará despercebida.

Escrevo sobre 2012 a propósito de um post no blog da Scup que reúne previsões para as mídias sociais no próximo ano. Dei minha opinião para a lista mencionando o apocalipse maia como um provável campeão da tuitagem. O mundo não perdoará um apocalipse que fracassa.

A crueldade da chacota é uma característica tão humana quanto a fascinação pelas efemérides. E a combinação das duas pode ser explosiva. Sempre soubemos disso, mas agora essa força pode ser mensurada, uma vantagem das sociedades digitais.

A virada do ano de 2011, por exemplo, bateu o recorde em TPS (tweets por segundo), uma nova medida de energia criada pelo Twitter e percebida sobretudo no Japão. Enquanto os japoneses tuitavam “Akemashite omedetou gozaimasu”, na noite do réveillon, o tweetômetro alcançou os 6.939 TPS (A eliminação do Brasil na Copa América bateu o recorde japonês em 17 de julho).

O Palyndrome Day [11/11/11], outra efeméride, foi uma fonte inesgotável de energia criativa pelo planeta. O Twitter usou a matemática e a geografia para mostrar neste curto vídeo a sequência de tweets pelo mundo:

Na data mais fascinante de 2012, a escrita deve se manter: o Twitter seguirá medindo a pressão na rede e os tweets começarão a palpitar insistentemente já nas horas que antecederem a chegada do 21/12/12. E, nas seguintes também, claro. A menos que as nossas previsões estejam erradas.

Como criar, promover e defender uma causa na internet

A revista Time escolheu um anônimo como personalidade do ano de 2011: The protester [o ativista ou o manifestante, se você preferir]. Nessa mesma semana, depois da publicação do post As revoluções tuitadas e a influência das redes sociais nas mobilizações civis de 2011, comecei a escrever outro, desta vez sobre as ferramentas disponíveis na internet para promover campanhas ou defender causas. A escolha da revista me parece um bom gancho para continuar tratando do assunto, embora eu não vá me deter em campanhas políticas somente, mas nas ferramentas disponíveis para exercitar a cidadania e buscar ou doar recursos para estas campanhas.

The protester, Person of the year - Reprodução site time.com

O tema está na mente de pessoas, instituições e empresas. Nesta semana, Google e Twitter anunciaram aplicativos que servirão de alguma maneira para ajudar a levantar causas ou campanhas para engajar pessoas pela internet.

O Twitter anunciou em seu blog o Twitter Ads for Good. Desde o começo dos posts promovidos, o Twitter já vinha dando espaço para organizações sem fins lucrativos, oferecendo a elas um volume de anúncios a que chama de “pro-bono”. Agora, com o novo Twitter, instituições podem se candidatar a receber alguns benefícios como uma página de perfil com mais possibilidades de personalização [ver post O que muda com o novo novo Twitter] preenchendo um formulário no site. Aqui alguns exemplos de instituições que já aderiram ao sistema: @kiva, @jobsforusa, @roomtoread, @globalcitizenyr, @redcross e @gaffta.

Google +, por sua vez, tenta valorizar o potencial de suas páginas para promover campanhas e também arrecadar recursos. Para tanto,  lançou um livreto com recomendações para as instituições ou pessoas que queiram promover suas causas com a ajuda da rede social: Google + for your nonprofit.

As páginas do Facebook foram muito utilizadas nos movimentos da Primavera Árabe e da série Occupy, mas também têm espaço para campanhas que não são necessariamente políticas. O site abriga alguns aplicativos, mas o Causes é o maior deles, com 2,5 milhões de usuários/mês. Criado por investidores americanos, em 2007, o Causes tem cerca de 500 mil campanhas. Como um usuário pode também criar a sua e não há muitas restrições (o site até estimula), a busca de fundos para festas, aniversários e casamentos, o que poderíamos chamar de “causa própria”, é responsável por boa parte desse meio milhão. Se você quiser, no entanto, colaborar com alguma causa mais nobre, é possível contribuir com alguma quantia por meio de cartão de crédito. Você também pode seguir o @Causes no Twitter.

Há várias outras iniciativas, sites que ajudam a criar petições, divulgar campanhas e buscar fundos para sustentar o ativismo social ou político. O governo inglês, por exemplo, oferece aos seus cidadão um site para criar e-petições que, depois de contabilizar 100 mil assinaturas pode ser apresentada ao parlamento. Aqui é o próprio governo apoiando a participação de seus cidadãos, abolindo a geografia e viabilizando pela internet o agrupamento de pessoas com ideias comuns. Bons exemplos estão também nos sites Care2 e Movements.org. Este, por sinal, tem um bom guia para criar e redigir petições online (em inglês). As possibilidades são inúmeras, o que permite fazer uma boa escolha: uma campanha globalizada, com suporte de grandes organizações que operam internacionalmente ou uma uma campanha amparada num ambiente virtual em que sua rede já esteja iniciada e a relação seja mais familiar àqueles que você busca engajar.

Ficha Limpa

Ativista do grupo Avaaz

Um dos movimentos mais expressivos no Brasil pós-Diretas Já! foi o que levou a aprovação da Lei da Ficha Limpa, um projeto de iniciativa popular que reuniu mais de 2 milhões de assinaturas. A mobilização foi liderada pelo Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral, uma rede de 51 entidades da sociedade civil que continua levantando bandeiras contra a corrupção na política, e depois foi abraçado pela Avaaz, rede que opera globalmente e se expressa em 15 línguas diferentes e que conta com centenas de milhares de seguidores no Facebook  e no Twitter.

O Ficha Limpa é um grande exemplo de campanha que começou nas ruas e migrou para a internet espalhando-se pela rede. Não se pode medir o tamanho somente pelo número de seguidores no Facebook ou no Twitter porque o movimento ganhou filhotes e está capilarizado. O Google Trends talvez dê uma melhor dimensão da presença do tema na internet. Vejam o gráfico abaixo, comparando em 2010 a presença na internet dos termos ficha limpa X corrupção.

Ficha Limpa x Corrupção (Google Trends, Brazil, 2010)

A riqueza da internet é feita de coisas assim: ela dá voz a todos, permite a conjunção de ideias e ideais – e o debate, e elimina as fronteiras. Um bom começo para mudar  o mundo, não?

 

+ Siga no Twiter a lista que criei com organizações que defendem ou ajudam a defender causas.

O que muda no novo novo Twitter

O Twitter está atualizando as suas principais páginas [twitter.com, aplicativos para mobile e o Tweetdeck.com] e traz novas funcionalidades e mudanças na navegação.

Navegação

A navegação nas páginas de usuários mudou consideravelmente. Há agora três abas principais: início, conectar e descobrir.

A página de início (Home) é a que menos novidades apresenta. Há uma nova distribuição dos elementos que já constavam da antiga página, ganham mais destaque os TTs e a timeline ocupa um espaço maior na página, o que é bom. Senti falta de um maior destaque ou de um link direto para as páginas de listas. Para quem quer organizar a leitura, fazer curadoria de conteúdo ou relacionar pautas, as listas são de uma enorme ajuda. Mas elas continuam lá, na página de perfil do usuário, no topo à direita da tela, juntamente com o acesso às mensagens diretas.

Página inicial do novo Twitter

A aba @Conectar (Connect) leva a uma página onde estão listadas todas as interações feitas com o perfil do usuário. As interações me remetem ao velho Tweetree, um aplicativo baseado no Twitter, ainda ativo, que já trazia na origem algumas da novas funcionalidades que foram incorporadas ao Twitter: a possibilidade de listar na própria timeline a conversação com outros usuários. Isso ajuda na interatividade já que esta mídia social vinha se tornando um espaço para publicação e leitura muito mais do que uma rede para interação entre os usuários.

A aba de @Conectar do novo Twitter

Em verde, um exemplo de interação na própria timeline. É possível abrir e fechar o box com as conversações e neste espaço são relacionadas também as trocas entre os usuários.

A listagem da interação na própria timeline do novo Twitter

A aba #Descobrir abre várias portas para encontrar novos perfis e conteúdos publicados no Twitter para além da timeline. Na área demarcada em verde da reprodução abaixo estão as possibilidades principais: histórias com destaque no dia; a atividade na sua rede de relacionamentos; sugestões de perfis para seguir; ferramentas para buscar em outros aplicativos amigos que ainda não são seguidos por você no Twitter; e uma sugestão de perfis relacionados por categorias. E, obviamente, os TTs.

Página #Descobrir do novo Twitter

Páginas de marcas

O Twitter está criando uma modalidade de perfil avançado para marcas e empresas. Algumas delas já estão acessíveis, caso de @cocacola, @americanexpress, @bestbuy, @bing, @chevrolet e @dell. Mas todas as empresas e marcas ganharam muito com o novo Twitter. Os espaços de exposição da marca são mais visíveis e a possibilidade de abrir os conteúdos na própria timeline valoriza muito mais o que é postado. Para quem publica notícias será quase obrigatório adiantar algum conteúdo como fotos e vídeos.

Perfil da @CocaCola no novo Twitter

Funcionalidades

Há mais funcionalidades além das mencionadas nas páginas de cada uma das abas.

Agora que será possível abrir e fechar os tweets para ver mais conteúdo, é possível que o usuário que navegue por um determinado perfil, rico em conteúdo, queira voltar para a timeline original ao fima da leitura para ver mais. Repare no recorte abaixo (destacado pela seta verde), ele permite fechar todos os tweets de uma só vez pelo botão na barra superior.

Botão para fechar todos os tweets abertos no novo Twitter

Outra excelente novidade é a facilidade para incorporar um tweet (com código embeded) em qualquer site ou blog que o aceite. Veja no exemplo do Guardian:

No destaque, o botão para incorporar o tweet no novo Twitter

Ao clicar em incorporar, abre-se uma janela (veja abaixo) com o código que deve ser copiado e colado no site em que você quer publicar o Tweet. Com a vantagem de facilmente poder controlar a disposição do tweet na página. Além disso, na imagem gerada em outras páginas, será exibido também o botão de Follow para o perfil original do tweet.

Agora é possível copiar o código para incorporar e definir a disposição na página em que será aplicado

O novo Twitter propõe uma nova dinâmica e atrai para si a atenção dos usuários (e, possivelmente, de anunciantes). A página se torna mais atrativa e concorrerá cada vez mais com os portais que hoje se parecem muito uns com os outros.

@Folha_com x @Estadao: a performance dos perfis no Twitter [infográfico]

O Visual.ly foi uma das boas surpresas que encontrei na internet em 2011. Resumindo a ópera, ele é um serviço web que vale por três:

  1. É uma biblioteca de infográficos que coleta informações de diversas fontes de dados
  2. É um bom buscador de infografia [veja exemplo para Occupy]
  3. É um gerador de gráficos para quem não tem equipe para apresentação de informação em formato não textual
Um exemplo de geração de gráficos é este comparativo entre perfis do Twitter. Testei com os principais perfis dos dois grandes jornais paulistas na internet: Folha e Estadão. Veja o resultado e use o Visual.ly para gerar também seus próprios gráficos.