Como criar, promover e defender uma causa na internet

A revista Time escolheu um anônimo como personalidade do ano de 2011: The protester [o ativista ou o manifestante, se você preferir]. Nessa mesma semana, depois da publicação do post As revoluções tuitadas e a influência das redes sociais nas mobilizações civis de 2011, comecei a escrever outro, desta vez sobre as ferramentas disponíveis na internet para promover campanhas ou defender causas. A escolha da revista me parece um bom gancho para continuar tratando do assunto, embora eu não vá me deter em campanhas políticas somente, mas nas ferramentas disponíveis para exercitar a cidadania e buscar ou doar recursos para estas campanhas.

The protester, Person of the year - Reprodução site time.com

O tema está na mente de pessoas, instituições e empresas. Nesta semana, Google e Twitter anunciaram aplicativos que servirão de alguma maneira para ajudar a levantar causas ou campanhas para engajar pessoas pela internet.

O Twitter anunciou em seu blog o Twitter Ads for Good. Desde o começo dos posts promovidos, o Twitter já vinha dando espaço para organizações sem fins lucrativos, oferecendo a elas um volume de anúncios a que chama de “pro-bono”. Agora, com o novo Twitter, instituições podem se candidatar a receber alguns benefícios como uma página de perfil com mais possibilidades de personalização [ver post O que muda com o novo novo Twitter] preenchendo um formulário no site. Aqui alguns exemplos de instituições que já aderiram ao sistema: @kiva, @jobsforusa, @roomtoread, @globalcitizenyr, @redcross e @gaffta.

Google +, por sua vez, tenta valorizar o potencial de suas páginas para promover campanhas e também arrecadar recursos. Para tanto,  lançou um livreto com recomendações para as instituições ou pessoas que queiram promover suas causas com a ajuda da rede social: Google + for your nonprofit.

As páginas do Facebook foram muito utilizadas nos movimentos da Primavera Árabe e da série Occupy, mas também têm espaço para campanhas que não são necessariamente políticas. O site abriga alguns aplicativos, mas o Causes é o maior deles, com 2,5 milhões de usuários/mês. Criado por investidores americanos, em 2007, o Causes tem cerca de 500 mil campanhas. Como um usuário pode também criar a sua e não há muitas restrições (o site até estimula), a busca de fundos para festas, aniversários e casamentos, o que poderíamos chamar de “causa própria”, é responsável por boa parte desse meio milhão. Se você quiser, no entanto, colaborar com alguma causa mais nobre, é possível contribuir com alguma quantia por meio de cartão de crédito. Você também pode seguir o @Causes no Twitter.

Há várias outras iniciativas, sites que ajudam a criar petições, divulgar campanhas e buscar fundos para sustentar o ativismo social ou político. O governo inglês, por exemplo, oferece aos seus cidadão um site para criar e-petições que, depois de contabilizar 100 mil assinaturas pode ser apresentada ao parlamento. Aqui é o próprio governo apoiando a participação de seus cidadãos, abolindo a geografia e viabilizando pela internet o agrupamento de pessoas com ideias comuns. Bons exemplos estão também nos sites Care2 e Movements.org. Este, por sinal, tem um bom guia para criar e redigir petições online (em inglês). As possibilidades são inúmeras, o que permite fazer uma boa escolha: uma campanha globalizada, com suporte de grandes organizações que operam internacionalmente ou uma uma campanha amparada num ambiente virtual em que sua rede já esteja iniciada e a relação seja mais familiar àqueles que você busca engajar.

Ficha Limpa

Ativista do grupo Avaaz

Um dos movimentos mais expressivos no Brasil pós-Diretas Já! foi o que levou a aprovação da Lei da Ficha Limpa, um projeto de iniciativa popular que reuniu mais de 2 milhões de assinaturas. A mobilização foi liderada pelo Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral, uma rede de 51 entidades da sociedade civil que continua levantando bandeiras contra a corrupção na política, e depois foi abraçado pela Avaaz, rede que opera globalmente e se expressa em 15 línguas diferentes e que conta com centenas de milhares de seguidores no Facebook  e no Twitter.

O Ficha Limpa é um grande exemplo de campanha que começou nas ruas e migrou para a internet espalhando-se pela rede. Não se pode medir o tamanho somente pelo número de seguidores no Facebook ou no Twitter porque o movimento ganhou filhotes e está capilarizado. O Google Trends talvez dê uma melhor dimensão da presença do tema na internet. Vejam o gráfico abaixo, comparando em 2010 a presença na internet dos termos ficha limpa X corrupção.

Ficha Limpa x Corrupção (Google Trends, Brazil, 2010)

A riqueza da internet é feita de coisas assim: ela dá voz a todos, permite a conjunção de ideias e ideais – e o debate, e elimina as fronteiras. Um bom começo para mudar  o mundo, não?

 

+ Siga no Twiter a lista que criei com organizações que defendem ou ajudam a defender causas.

3 comentários sobre “Como criar, promover e defender uma causa na internet

    1. Mirian, não estamos falando das mesmas coisas, embora a internet possa ser, sim, uma grande aliada para isso. Se você não requer sigilo absoluto nas conversações, acho que uma página no Facebook é um bom começo. É no ambiente da rede social que as pessoas investem mais tempo conectadas.

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