Como o Twitter mudou o jornalismo

Uma das novidades na prática jornalística introduzidas pela internet foi a mudança drástica na relação do jornalista com as fontes. Essas fontes criaram seus sites, canais abertos ao público, e começaram a formar as suas próprias audiências. Ao fazer isso, colocaram em igualdade de condições o público e o profissional de comunicação, impondo a este uma revisão profunda da sua atividade.

Com o fortalecimento das mídias sociais, o problema para o jornalismo se agravou. O jornalista já não é o arauto da novidade. Quem gera a informação pode também ocupar o posto. Vale lembrar um episódio nem tão recente, mas muito significativo por ter sido um dos primeiros, o uso do Twitter pelo então presidente do Palmeiras, Luiz Gonzaga Belluzzo, para anunciar a contratação do técnico Muricy Ramalho:

Muricy já deixou o clube há bastante tempo, mas a prática permaneceu. Hoje, todo o jornalista que se preze continua tendo suas próprias fontes, mas deve seguir com atenção contas e listas de contas no Twitter e em outras redes sociais. Essa atenção é necessária para acompanhar de perto muitas das suas fontes e ajuda a chegar antes a alguma informação emitida por quem é capaz de gerar assunto.

Uma boa tradução dessa mudança está expressa nos dois gráficos abaixo. Eles também são de 2009 e já tiveram alguma repercussão pela internet. Vale repeti-los pela forma clara como registram as mudanças.

O primeiro mostra o ciclo de vida de uma notícia antes do Twitter. Notem que sempre um repórter está no início do ciclo de vida de uma notícia. Ele faz a ligação do fato ou do testemunho do fato com o meio de comunicação e, de certa forma, tem o poder de filtrar o que será e o que não será notícia. Neste cenário, os meios online conseguem a primazia da divulgação, empurrando para os demais meios, analógicos, a responsabilidade de tratar e analisar a informação já divulgada.

No segundo, o próprio jornalismo online passa a ser secundário porque as fontes têm seu próprio meio e agem como tal. Há uma instantaneidade na difusão da informação promovida pelos usuários do Twitter. A notícia nasce antes e nem sempre é prematura.

[O gráfico foi produzido pela Burson-Marsteller]

No atual cenário, nem a participação posterior do jornalista tem necessariamente a importância que se poderia supor. Há no mínimo duas razões que explicam isso: primeiro, o post se multiplica com velocidade meteórica; e, segundo, alguns usuários já possuem no Twitter uma audiência maior do que muitos veículos de comunicação jornalística.

5 comentários sobre “Como o Twitter mudou o jornalismo

  1. Com certeza oTwitter veio aumentar a pressão na prática jornalística. O jornalista não apenas precisa ter uma conta no Twitter, também tem que acompanhar o que for objeto de interesse, e nesse meio tempo tem que continuar a trabalhar: apurar, entrevistar, pesquisar, gravar, …. Sem controle. E vicia. E sinceramente? estou esperando uma ferramenta que dê áudio aos “tweets” … pra continuar a fazer o que tenho que fazer escutando os “tweets” como se estivesse fazendo rádio escuta.

  2. Mas, Ludke (a trema se foi do teclado do meu Nokia também), eu ainda valorizo muito o tratamento que o jornalista dá à informação que chega até ele ou que ele busca. O fato de um usuário ter muitos seguidores, ao meu ver, não dá a ele o status de um produtor de notícias. Como tu vês essa questão?

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