Ei, cidadão jornalista! Mexa-se, o mundo mudou

Ontem pela manhã, acessei o twitscoop para verificar em tempo real a nuvem que indicava as expressões mais frequentes no twitter. Duas me chamaram a atenção: [SoHo] e [sohofire]. Acessei a página do The New York Times e não encontrei nada; voltei ao twitscoop, cliquei numa das palavras e vi a referência ao SoHo londrino. Acessei, então, os sites Times Online, CNN, BBC e Guardian. Havia algumas notas sobre um incêndio no bairro, poucos detalhes e nenhuma imagem. Pena, queria ver o que estava acontecendo de fato.

Voltei novamente ao twitscoop, acessei a lista de busca ao termo [sohofire] e, no segundo post da lista, lá estava um link para uma imagem. Caí num site chamado PicFog, um buscador de imagens em tempo real na base do twitter e twitpic, que trazia uma boa quantidade de fotos postadas pela audiência [como esta que ilustra o texto, do usuário do twitter @cagcowboy]. Havia já dezenas de fotos publicadas pela audiência na web. O que faziam os sites de informação? Aguardavam seus próprios fotógrafos, buscavam imagens em seus serviços de agências de notícias? Por que as imagens já disponíveis não ilustravam seus textos, por que as notícias não lincavam essas imagens?

Não pude evitar a comparação com um fato semelhante ocorrido há quatro anos, quando eu era ainda editor do clicRBS. Numa manhã de agosto de 2005, um incêndio destruiu o mercado público de Florianópolis. Nossa Redação na capital catarinense não dispunha de fotógrafo e nem mesmo de uma máquina digital que alguém pudesse usar. Para a piorar a situação, as máquinas do Diário Catarinense, que funcionava no mesmo prédio, estavam fechadas num armário e as chaves estavam na mão do editor de fotografia do jornal que, claro, não trabalhava pela manhã. Como a Redação ficava no continente e o incêndio na ilha, teríamos que aguardar um bom tempo até que as imagens estivessem disponíveis no site. Mas aí alguém teve a idéia de pedir fotos à audiência. E foi um sucesso porque, além de se obter rapidamente imagens do incêndio, a posição geográfica do mercado na ilha deu condições para que pudéssemos oferecer quase um 360 graus, com imagens dos mais diversos ângulos.

Por mais banal que este exemplo seja, notem que há uma sutil diferença entre os dois sinistros. Naquele tempo, a audiência não tinha ainda a possibilidade – ou poucos tinham conhecimento – de publicar diretamente na internet as imagens captadas. Hoje, cada indivíduo é um ou mais canais. Não basta simplesmente publicar uma nota e convidar a audiência para trazer seu conteúdo e publicar no site. Você deve ir atrás dela, segui-la e convidá-la a compartilhar os conteúdos.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *