O desafio de retratar as mídias sociais na TV

A CBS promoveu a estreia na terça-feira (17) de um programa de TV chamado What’s Trending, apresentado por Shira Lazar. O show, como o nome alerta, tenta extrair das mídias sociais, especialmente do Twitter e Facebook, os temas que serão abordados no programa. Convidados são instados a responder sobre tendências num ambiente cujos sofás me trazem à mente uma Hebe renovada. A melhor intenção fica por conta da seção #Influencer, que apresenta alguém influente das redes sociais e algo que esse sujeito tenha compartilhado e que tenha resultado em alguma mobilização ou debate em torno do assunto. A entrevista de estreia foi com o MC Talib Kweli, que pediu no Twitter um protesto contra a Fox News. What’s trending se propõe a ser um espaço de discussão daquilo que surge como tendência nas redes sociais e o máximo que consegue é ser um programa de opinião. O caráter opinativo é uma característica forte nas mídias sociais, alguns podem considerar excessivamente opinativo, mas essa característica não é considerada pelo programa. Ele não abre espaço para interação direta via TV, não exibe nenhum streaming, não há participação. Não há ligação daqueles nós que poderiam configurar uma rede. A apresentadora se limita a sugerir na TV e no site do programa que as pessoas enviem sugestões pelo Twitter ou por e-mail. Ou seja, se apodera do buzz e se fecha num canal de mão única. Eu esperava mais do que isso.

Clique aqui para assistir ao programa.

O programa segue o padrão do The Stream, lançado em abril pela Al Jazeera. Com algumas semanas a mais, poderia ter evoluído mais. Das mídias sociais, eles se apoderam dos temas, utilizam o streaming do Twitter como um ilegível cenário e fazem um programa informal o suficiente para mostrar cortes ou um dos convidados atravessando o cenário para se servir calmamente de um café. Da TV, o programa se vale da equipe de reportagem. Ou seja, as mídias sociais só servem como uma espécie de Ibope de assuntos. De resto, é cenário. No site do programa, há uma possibilidade de interação com feed para Twitter e Facebook Connect, mas é só.

É como se ambas as tentativas fossem até as mídias sociais para encontrar os temas que chamaram a atenção da audiência e apresentá-los aos convidados para que sejam comentados. Depois é só a velha TV.

Nenhum deles bate, na minha opinião, o que Google e Current TV, o canal de Al Gore, fizeram há alguns anos a partir do Zeitgeist do buscador. Uma apresentação dinâmica e divertida dos temas mais buscados na semana, o que realmente sugeria uma curiosidade da audiência. Pena que acabou, mas consegui resgatar uma mostra daquilo que o GoogleCurrent_ fazia há uns 4 anos atrás:

Desafio

O desafio para quem quer integrar internet ao seu meio é antes de tudo dar crédito e confiança ao que é gerado na rede. Para isso, é claro, pode haver curadoria ou moderação, mas é preciso correr riscos. Tomar a internet somente como fonte ou cenário só serve para tentar uma aproximação com um público que pode já não estar mais na TV. E possivelmente a simples representação de seus temas não seja a melhor maneira de conquistá-lo. Na internet, repito sempre, você deve perseguir a audiência. Para persegui-la, é preciso conhecer e entender o meio em que se dão as interações. E, para conquistá-la, a primeira coisa a fazer é respeitá-la.

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