O Memorial do Facebook

Com a internet, morrer já não é uma coisa assim tão fácil. Os registros que vagam pela nuvem – e que poderão resgatar o presente a qualquer momento do futuro – estão disponíveis para restabelecer momentos e situações passados. Na rede, o presente pode durar pra sempre.

Contribui para isso a nossa atual vida compartilhada. Ao dividir com outros, na verdade multiplicamos. Operamos numa rede que nos subtrai o controle sobre as informações que postamos. Uma vez compartilhados, os dados passam a fazer parte da vida de outras pessoas, muda o senso de propriedade sobre aquilo que originalmente nos pertencia. E esses dados não se apagam com tanta facilidade. Você divide, a internet se apropria; você esquece, a internet lembra; você apaga, mas a internet já havia salvado.

Se essa é uma situação ainda nova e para a qual procuramos ter um melhor entendimento, imagine pensar o que será da sua vida sem ela, o que acontecerá com os os registros de sua passagem pela Terra quando você já estiver sete palmos abaixo da superfície. Seus dados na rede continuarão vagando pelo tempo, nem sempre associados à informação do seu passamento. Como evitar a eternidade se quisermos somente o esquecimento?

O Facebook materializa parte desse desejo. Veja só gráfico abaixo, publicado no site Taxi, que dá uma série de informações sobre aqueles que passam a ter uma existência “offline” permanente. Cerca de 200 mil usuários do Facebook morrem a cada ano, 548 por dia, mas 700 mil novas contas são adicionadas à rede diariamente. A reposição dá vida ao FB, mas não resolve o seu problema, certo? Errado. No Facebook há um formulário que serve para alertar sobre o falecimento de alguém. Os entes queridos e herdeiros poderão pedir o “arquivamento” das contas, que sejam apagados os dados pessoais do finado ou que a conta seja transformada num Memorial. Graças ao Facebook, viver além da vida, neste caso, passa a ser uma homenagem e não um purgatório.

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