O que é novo e o que é velho na internet

O ator e dramaturgo Plínio Marcos me chamou a atenção numa Bienal do Livro ao tentar vender a um leitor uma de suas obras. Plínio, naquela época, há poucos anos do final da ditadura, tentava vender ele mesmo os livros que publicava. Cuidadoso com o texto, descuidado com a apresentação. O leitor disse que não levaria a brochura porque o livro estava velho. O argumento tirou a paciência do escritor. Plínio respondeu aos berros que o livro podia estar velho, mas seu texto estava integralmente atual.

Atual também está o debate sobre a atualização. Quem produz conteúdo digital está escravizado por ela. E talvez boa parte desses colegas creia realmente que os leitores confiram o prazo de validade da informação antes de clicar no link.

  • [Peço uma pausa aos leitores que acreditam nisso e sugiro que leiam o post A internet é plana, que está publicado logo abaixo. Os exemplos nele contidos servirão de argumento para o que quero tratar a seguir.]

Creio que o argumento do prazo de validade caiu, concordam?

Se essa eternização do conteúdo é verdadeira; se concordarmos que o prazo de alguns conteúdos é superior ao período pelo qual costumamos mantê-los em destaque numa Home; se esses conteúdos ainda continuam valendo mesmo que tenham sido publicados além do período que usamos para fazer a busca de conteúdo relacionado; por que, então, não o tratamos como arquivo vivo?

O espanhol talvez explique um pouco isso ao chamar o jornalista de periodista. A ideia de periodicidade dos meios, que define o prazo de validade de uma publicação impressa, talvez esteja contaminando a nossa ideia de valor dos conteúdos que publicamos. A relevância de um conteúdo não se dá pela data de publicação, muito embora o tempo possa ajudar na consolidação, no amadurecimento das reflexões.

Dia desses me deparei com uma informação de agência falando sobre a finalização, depois de 7 anos, do projeto Gênesis do fotógrafo Sebastião Salgado. Eu poderia ter informado aos leitores do meu site com a mesma solução de sites como UOL, G1 e Yahoo, para dar alguns exemplos de páginas encontradas numa busca rápida na internet. Lembrei, no entanto, que poderia haver no acervo da revista coisas mais significativas. Realmente havia. Pude usar uma manchete que lincava diretamente para entrevistas e galerias com algumas das imagens produzidas para o projeto de registro da natureza intocada. Uma informação muito mais rica e que não custava mais do que alguns minutos de atenção.

“Você faz o controle de estoque do seu conteúdo?”

Indexar e fazer uma boa gestão, um bom controle de seu estoque de conteúdo (textos de reportagens, perfis de pessoas e empresas, entrevistas, imagens, vídeos e infografia) ajuda a trazer de volta com mais facilidade os conteúdos vivos que você produziu há mais tempo. Não esconda a data de publicação. Na internet, ao contrário do que ocorria com o livro de Plínio Marcos, o leitor vai se sentir mais interessado quanto mais “manuseado”, quanto mais “emprestado”, quanto mais “compartilhado” tiver sido esse conteúdo.

2 comentários sobre “O que é novo e o que é velho na internet

  1. No meu blog, publico sem data. Quando se faz necessário situar o leitor no tempo para o entendimento do artigo, isso acontece no corpo do texto. Isso me livra da pressão interna de atualizar o blog e não deixar textos com data antiga na home. Por outro lado, basta olhar o índice para verificar o mês em que foi publicado.

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