Quando o zelo é covardia

Repare que nas áreas de Conteúdo para web, nas Redações Online, muitos dos sujeitos participam de Redes Sociais, se esforçam para retuitar com urgência o último post do Mashable, estão ligados em blogs e compartilham todas as novidades da hora na internet. É da natureza da atividade, certo? Mas, por que, então, em boa parte desses lugares, esses mesmos sujeitos admitem conviver com uma realidade tão distante desse mundo “atualizado”, num ambiente tão web0.2?

Essa inexplicável convivência de espírito e corpo tão desalinhados tem a ver, acredito, com duas questões que deveriam ser enfrentadas.

Uma delas é o excesso de zelo, que começa nas áreas de TI e avança pelas de Negócio, com a propriedade do software, das plataformas utilizadas para a produção e publicação do conteúdo. Percebo uma insegurança, no meu entender injustificável, com a adoção de aplicativos que utilizam a web como plataforma. A possibilidade de não ter controle sobre todas as etapas de um processo sufoca mais do que alivia. Então, acabamos cinicamente convivendo com aplicativos que não funcionam como gostaríamos, que estão defasados, que não atendem as novas demandas que temos, mas que estão totalmente sob nosso controle.

Por algum tempo acreditei que o Google Analytics pudesse ser a quebra da inércia, o start para uma evolução que nos levasse ao uso da web como plataforma, ao menos nos aplicativos periféricos. O software de medição de audiência que o Google oferecia gratuitamente, fácil, atualizado e confiável, desestabilizava qualquer argumentação em defesa das ferramentas caras e pouco produtivas que a maioria utilizava. E o GA passou a ser uma referência de medição no mercado.

Mas, se para esse ponto crítico e sensível que é a audiência, sobre a qual se constrói toda a política de venda de publicidade foi possível evoluir, por que razão no restante dos aplicativos convivemos com a sucata? E aí chegamos ao segundo ponto: somos covardes. Preferimos o caminho fácil do reconhecimento nas mídias sociais, reclamamos nos grupos de trabalho, mas não enfrentamos o dilema da transformação. Ninguém quer ficar na reta quando alguma coisa dá errada, quando a bala sai pela culatra. Não assumimos os problemas. Se encarássemos seriamente o desafio de buscar alternativas melhores para o que fazemos hoje e assumíssemos os riscos pelo que viéssemos a adotar, poderíamos mudar as coisas. Enquanto essa atitude não for corriqueira vamos ficar retuitanto as “coisas legais” que os outros fazem para abstrair os problemas reais que enfrentamos cotidianamente.

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